A Epistemologia é uma coisa complicada. Quando penso no conhecimento do conhecimento, vem-me à mente aquilo que todo pansador, cientista, filósofo e sábio sabe: não há uma maneira inequívoca de se interpretar a realidade.
Todo sistema de conhecimento se baseia num método, tem um certo nível de rigor, possui uma determinada maneira de captar fatos e de os correlacionar. Mas, por mais detalhista e por mais rigor que se tenha, nunca é possivel abandonar a dúvida, sempre é possível ir além e encontrar explicações alternativas e/ou mais detalhadas para os fenômenos. A questão mais problemática, ao meu ver, é que a importância dada ao rigor e ao detalhe é arbitrária. Embora eu admita que até agora não vejo uma forma melhor de conhecer e lidar com a realidade do que a Ciência, preciso admitir também que sua epistemologia, sua metodologia, é arbitrária. Outro problema é que a importância que dou a essa questão também é arbitrária (ou não é?).
É aqui que cabe uma reflexão que venho fazendo. Uma coisa que é comum a todas
as formas mais elaboradas de saber, como a Teologia,
o Esoterismo, a Filosofia e a Ciência (na minha ordem crescente e arbitrária
de importância) é o pensar, ou melhor, para usar uma palavra que representa bem
o que estou querendo dizer, é o
Quase todos, senão todos, os pensadores, filósofos, cientistas, devem ter se perguntado uma ou outra vez: para quê conhecer? Não coloquei a frase entre aspas porque faço minha essa pergunta. Eu já tentei respondê-la também, várias vezes, e não posso dar uma resposta única. Só posso me contentar em responder para que serviu conhecer determinadas coisas em determinados contextos (como descobrir como funciona o magnetismo e utilizar esse saber na tecnologia, ou descobrir que a diferença entre os seres humanos é tão ínfima que não faz sentido hierarquizar raças). Mas de maneira geral não consigo responder à pergunta para quê conhecer?, tendo em vista uma função ou utilidade prática, a não ser em algumas áreas e circunstâncias, como exemplifiquei acima. Daí certamente vem a necessidade de se falar em "conhecimento desinteressado"...
Mas eu me arrisco a responder. Acho que vale a pena ler, estudar, pesquisar, escrever, debater, especular, teorizar, refutar et coetera. Quem faz isso sabe que não é apenas uma atividade prazerosa, mas ajuda a desenvolver os atributos mentais, como a memória, o racioncínio, o julgamento, a rapidez de pensamento, a associação de idéias, a dedução et coetera. Certamente é por isso que hoje usamos a palavra academia para nos referir ao lugar onde cultivamos a saúde do corpo e o local onde se pensa. É que no, lugar onde as pessoas se dedicam a pensar, elas estão, em primeiro lugar e acima de tudo, exercitando suas mentes.
O resto é teatro.
Sabemos que o alinhamento de três corpos celestes é chamado de eclipse. Mas um observador do espaço não vê nenhum eclipse, pois essa palavra significa ocultamento, e designa não o alinhamento, mas a sombra projetada e percebida pelos seres vivos. Não é interessante que esse fato só seja considerado um fenômeno porque nos afeta, porque ocasiona uma mudança que nós podemos perceber daqui da superfície do terceiro planeta do Sistema Solar?
Levantei-me antes do amanhecer. No caminho para a praia, podia ver a clara aurora despontando. Ao chegar lá, eu e várias pessoas vimos um sol brilhante se preparando para alumiar o dia. Eis que ocorre uma mudança rápida e inesquecível... a luz vai se apagando e, em segundos, de repente retorna a noite, iluminada apenas por um pulcríssimo anel de ouro branco flamejante!
Para os russos, infelizmente este eclipse não vai ser apreciado da mesma maneira (os mongóis vão vê-lo daqui a algumas horas). Mas minha imaginação se dá ao luxo de pensar que, se um russo pudesse ver, talvez lhe ocorresse: "Os três cavaleiros de Baba Yaga nos concederam um grande espetáculo! Primeiro, o cavaleiro branco, Brilhante Aurora, em seguida, o cavaleiro vermelho, Rubro Sol, e, logo após, o cavaleiro preto, Escura Noite!"
No momento em que vi no céu um majestoso anel de fogo, todo um esquema racional em minha mente, que conhece a "verdade" de que a Lua Nova estava exatamente no caminho entre o planeta Terra e a estrela Sol, não fazia o menor sentido, nem sequer veio à minha consciência. E para quê viriam? Entendi que um fenômeno como um eclipse solar total, em si mesmo, não é nada... mas, para os olhos do terráqueo que tem a oportunidade de a ele assistir, é um espetáculo de beleza.
Depois que li The Lord of the Rings, não havia visto nenhuma representação figurativa tão boa antes dos filmes de Peter Jackson (nem mesmo as belíssimas imagens de John Howe e de Alan Lee, nas quais, aliás, Jackson se inspirou para recriar o romance). Mas isso já passou. Simplesmente, o eclipse que presenciei resume os versos incrustados no One Ring:
One Ring to rule them all, One Ring to find them,
One Ring to bring them all and in the darkness bind them
Aquele anel realmente brought them all to bind them in the darkness, e que bela escuridão!
Amanhã, 29 de março de 2006 E.C., haverá eclipse total do Sol, e um dos melhores lugares para observá-lo será Tabatinga/RN. Aqui em Natal poderemos observá-lo às 5:35. No link acima há dicas de cuidados para proteger a visão. Se eu conseguir, posto uma foto.
Ontem (25 de março de 2006 E.C.) conversei com um ex-colega de colégio sobre o fato de as tentativas de reencontrar a turma quase nunca darem certo. Eu disse a ele que para mim esses reencontros não fazem mais sentido. Para ele, é interessante relembrar as histórias... para mim não.
Mais tarde, no mesmo dia, li o post mais recente do blog Pargarávio, de Francine Guilen. O post se intitula Would you erase me? ("Você me apagaria?"), e fala sobre o fato de nós deixarmos espontaneamente de contactar certas pessoas que já foram importantes em nossas vidas. Simplesmente, alguns nomes em nossa agenda não são mais atualizados, nomes novos surgem e com o tempo ficam esquecidos na agenda do ano passado, do ano retrasado etc.
Ora, nós mudamos, evoluímos. Cada um de nós passa por etapas da vida em que nossos interesses mudam, evoluem. Nosso íntimo é reciclado, nossas visões de mundo tendem sempre a mudar, evoluir. E nossas companhias, inevitavelmente, mudam, evoluem. A não ser em raros casos, quando uma pessoa mantém um vínculo nivelado pelas idéias, e mantemos interesses em comum (mesmo que estes mudem, mas mudem em ambos), dificilmente vamos continuar com os mesmos amigos para o resto da vida. Talvez numa próxima existência...
O fato é que, dos ex-colegas com quem estudei no colégio, muito poucos ainda vale a pena reencontrar (alguns são amigos - por enquanto - eternos). Sinceramente, acho muito melhor que o destino e/ou os interesses em comum nos faça rever e, quem sabe, informarmo-nos das novidades quanto às vidas um do outro. Novidades, sim, o presente, o futuro, pois o passado eu já sei, o pretérito já foi e o pretérito-mais-que-perfeito já fora.
Só me lembrem do passado se quiserem que eu aprenda alguma coisa - e se for novidade para mim.
Àqueles que chegam aqui pela primeira vez, sejam bem-vindos (ou bem-idos, se não quiserem ou não puderem ficar por mais tempo).
Aqui estarei publicando textos relativos às minhas reflexões sobre tudo. Não que eu pense sobre tudo, sobretudo considerando que não sou onisciente (como se vestisse um sobretudo mágico que me desse esse poder!). Com "sobre tudo" quero dizer sobre todas as coisas nas quais reflito. Até sobre o espelho.
Espero muitos comentários, sejam críticas (des)construtivas, elogios ou pura esculhambação. Não vou impor censuras, mas não abusem da liberdade alheia.
Volto logo.
Abraço.
Ética. Em nossos dias, pode-se conceber, e até vivenciar, uma ética mais avançada do que a moral dominante. Podemos antever, em manifestações isoladas, uma forma mais evoluída de as consciências se relacionarem entre si e com o mundo, que predominará no futuro.
Cosmoética. Um exemplo é a ética dos Direitos Humanos, pautada no respeito às escolhas individuais (opção sexual ou religiosa etc.), a igualdade entre as nacionalidades, as etnias e os sexos, e outros. Mas ainda predominam na Terra morais retrógradas, racistas, sexistas, etnocêntricas. Com a Conscienciologia, surge uma ética ainda mais universalista e minoritária, a Cosmoética. Pela Cosmoética, respeitam-se as escolhas das consciências independentemente de seu nível evolutivo e da dimensão em que se manifestem (intrafísica, extrafísica ou mentalsomática). A ação cosmoética
ideal se pauta no princípio: Aconteça o melhor para todos.
Humor. O humor pode ser uma forma de encarar os fatos com paciência. Mas pode ser usado como meio sutil de criticar, uma forma preconceituosa de ridicularizar ou um modo fundamentalista de difamar. As charges têm servido por séculos como veículo criativo de crítica política, cultural e religiosa. No entanto, elas têm mais significado quando a(s) pessoa(s) ou instituição(ões) caricaturada(s) fazem parte do mesmo contexto cultural do artista.
Cristo. Na cultura cristã ocidental, o humanismo racional foi capaz de produzir críticas mais universalistas, a ponto de permitir um olhar de fora, e a manifestação de caricaturas do próprio Jesus Cristo, tão importante em seu papel de fundador da cristandade. O cinema (A última tentação de Cristo, A vida de Brian) e a literatura (O Evangelho segundo Jesus Cristo) ocidentais estão repletos de sátiras e paródias da história desse personagem. As reações negativas a essas sátiras não chegam à violência física nem a ameaças sérias.
Maomé. No Islã, não se conhecem manifestações análogas a não ser em autores que se tornam anátemas e alvos de fatwa, como Salman Rushdie (autor de Versos satânicos), e que se “refugiam” em países ocidentais. Em 2005, charges ocidentais, caricaturando Maomé, o fundador do Islamismo, foram publicadas num jornal dinamarquês e foram motivos de reações violentas por parte de alguns grupos no mundo islâmico; alguns destes sujaram a bandeira da Dinamarca, outros a colocaram como capacho à porta de suas casas; houve os que juraram de morte os cartunistas e o jornal, e também
os que assassinaram estrangeiros europeus.
Fundamentalismo. Mesmo com uma razão avançada, no Ocidente ainda existem grandes preconceitos e estereótipos fundamentalistas quanto aos povos muçulmanos, vistos como terroristas fanáticos e com muita suspeita. De forma análoga à reação fundamentalista de muçulmanos às charges, um grande governo ocidental pode reagir a um ataque terrorista com uma guerra de proporções genocidas. Mas nem todos no Ocidente vêem os muçulmanos como terroristas fanáticos, assim como nem todos os muçulmanos são terroristas fanáticos.
Ideal. Até o belicismo simbólico movimenta pensamentos, sentimentos e energias (pensenes) de violência, agredindo a todos os envolvidos. Numa condição cosmoética ideal, toda guerra é evitada.
Divisões perigosas
Políticas raciais no Brasil contemporâneo
Peter Fry
Yvonne Maggie
Marcos Chor Maio
Simone Monteiro
Ricardo Ventura Santos
(org.)

Orientalismo
O Oriente como invenção do Ocidente
Edward W. Said

Ethnic groups and boundaries
The social organization of culture difference
Fredrik Barth

Star Wars
IV: Uma nova esperança
George Lucas
V: O Império contra-ataca
Irvin Kershner
VI: O retorno de Jedi
Richard Marquand
(DVD)

Persépolis
Vincent Paronnaud &
Marjane Satrapi
(Windows Media Player)

Mogli
O menino lobo
Wolfgang Reitherman
(Disney Channel)

10.000 A.C.
Roland Emmerich
(Cinemark)

Snoopy 1
E sua turma
Charles M. Schulz
As tiras clássicas da turma da Mônica
Vol. 1
Maurício de Souza
Delivery Service of Corpse
1
Eiji Ohtsuka
Housui Yamazaki
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