Sem inspiração, aqui suando em goteiras, sem tempo para me deter muito em tecer, trago-vos um conto de cerca de 3 anos de idade. Deixei o conto mais ou menos intacto, preservando os erros que hoje eu não cometeria. A mudança mais significativa está na apresentação, ou seja, na forma visual do conto. Enjoy it.
EDE AQUELA
FREIRA do outro lado da rua, conversando com alguns rapazes num bar. Difiícil
acreditar que ela já foi uma vadia? Nem tanto. Seu nome é Raab, e sua atual
situação se deve a um fato ocorrido anos atrás. A protagonista desse fato é sua
já falecida amiga Madalena.
Não só sua vida mudou, mas a de toda a pequena cidade. Se reparardes bem, notareis que ninguém tem em muita conta essa freira a paquerar jovens homens num bar, em plena luz do dia. Antes do estranho acontecimento, nada disso seria tolerado pela população, que já fora extremadamente cristã e tradicional. Não seria possível, naquela época, ouvir esta conversa entre mãe e filho a passearem na rua:
— Mãe, por que o padre não se casa?
— Porque, meu filho, o casamento toma muito tempo da vida de um homem, e o padre precisa usar seu tempo para inventar uma maneira de convencer a si próprio de que o que lê na Bíblia é verdade. Além disso, se se casasse, seria mais difícil para ele namorar.
A igrejinha já não é mais a mesma, e um visitante na cidade se espantaria de presenciar uma das festas dadas todo fim de semana dentro do próprio templo, ou mesmo uma simples missa.
Enquanto vemos Raab sair do bar acompanhada de um dos moços, narremos a inusitada situação que fez a cidade provar do fruto da árvore do conhecimento.
[Continua...]
ostaria de
voltar a um texto do dia 16 de abril de 2006, em que fiz considerações
sobre a trágica histerectomia de uma capixaba.
Vejam só, o texto foi considerado pelo próprio Mr. T (Idéias Descabidas) como “radical”, e ele até me sugeriu arrumar um bichinho de estimação. Tenho que deixar claro uma coisa que não foi dita naquele texto. Eu pessoal e sinceramente penso que aquela mulher tinha o direito de escolher. Concordo com Hermann, que disse que ela perdeu algo que era importante para ela. É a liberdade dela, e o cirurgião agrediu esta liberdade.
Gil comentou que ela mesma gostaria que lhe arrancassem o útero. Há um mito em nossa cultura de que faz parte da identidade de uma mulher os seus órgãos reprodutivos. A identidade é construída nas relações sociais, não é determinada pelo corpo. Coincidentemente, esta semana um amigo meu disse que uma sua amiga virtual estava em crise de identidade pois tinha retirado um ovário por causa de um tumor. Ele teve o cuidado de lhe dizer (não com estas palavras) que sua identidade estava em sua cabeça, não nos seus ovários.
Minha prima Analy veio aqui e fez o seguinte comentário àquele malfadado texto:
Esse meu primeiro comentário não podia deixar de ser aki. Vi e achei muito triste essa situação desse casal. Não quero ser demagoga nem utópica, mas parir faz parte da realização de vida de algumas mulheres, sem exagero mesmo! Felizmente ela nunca vai poder gerar seu próprio filho, q é muito diferente de ser mãe. Esse erro médico foi um absurdo. E ainda assim não valorizam minha profissão... Aff!
Ela é psicológa. (Acho que (de acordo com a coerência do conteúdo de seu comentário — que aliteração!) ela quis dizer “infelizmente”.) Foi este comentário que me acordou para a forma por que apresentei minhas idéias. Realmente, parir é diferente de ter um filho, e esse era o principal tema daquele tal texto. Mas ainda quero reiterar que considero uma imaturidade (não os estou menosprezando, todos temos imaturidades) da parte do casal se desesperar diante da situação. No entanto, estou com eles enquanto compartilhando um sentimento de indignação (quase escrevi "resignação" — ato falho!).
Reticências.
um restaurante especializado em carnes bovinas, observamos alguns
pombos mendigando. Um deles caminhava por baixo das mesas, sobre as quais havia
arroz, feijão e outros grãos, além de muita carne bovina e galinácea.
Percebo que este não é o lugar para o qual a seleção natural os fez, com suas asas, penas, bicos. Mas eles tiveram que se adaptar, pois a Mata Atlântica que antes havia nesta região agora está calçada, asfaltada, urbanizada. Não há mais o alimento que os pombos tinham, que nem sei qual é, antes da colonização humana. Nós monopolizamos os recursos de sobrevivência. Agora pombos e gatos têm que se contentar com os restos que jogamos para eles ou com nosso lixo, que não tem dono.
Alguns animais conseguiram se adaptar ao novo ambiente. Outros se refugiaram Sertão adentro. Outros foram extintos. Os que fizeram da cidade seu hábitat meio que se humanizam. Quando um bicho citadino se perde no mato, ele volta a ser bicho-do-mato, diferentemente do ser humano, que é teimosamente humano em toda parte.
Por outro lado, alguns seres humanos mendigam sobras e lixo. Tornam-se bichos, como o que viu Manuel Bandeira:
"Vi ontem um bicho
Na imundice do pátio
Catando comida entre os detritos.Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.O bicho não era cão,
Não era um gato,
Não era um rato.O bicho, meu Deus, era um homem."
Tratamos os animais urbanos como mais humanos do que os mendigos animalizados. A mendicância é como que um intermédio entre natureza e cultura. Encaramos os bichos com desprezo, mas muitas vezes com pena e até lhes damos migalhas. Os homens e mulheres na indigência são mais difíceis de encarar, pois são muito mais parecidos conosco do que pombos e gatos.
Como vocês (aqueles que costumam vir aqui) podem ver, a Teia Neuronial está sendo recosturada. Ainda faltam alguns retoques, mas o visual novo está basicamente aí. Está mais leve e rápido agora, além do que possui algumas opções de navegação. O menu à esquerda ainda está sendo formulado, e as opções "O tecelão", "Sinapses" e "Imagética" logo estarão no ar.
Até breve.
A brilhante Gil Vesolli deu-me o prazer (ela ficou com a honra)
de publicar um pequeno texto meu no seu blog A b r i n d o. Eu tive a idéia do texto durante uma aula de
Teorias Contemporâneas do Discurso. Eu ia publicá-lo aqui, mas até que achei o
texto parecido com Gil, e eis que esta me convida a participar do seu espaço!
Muito conveniente.
Da próxima vez, Gil, a honra será minha.
Vi A
Paixão de Cristo (2004), de Mel Gibson, na televisão (FOX). Todo mundo
já andou falando da carnificina e do anti-semitismo do filme. Mas ele é muito
mais (e/ou muito menos) do que isso.
O grande lance do filme é o sangue do Filho do Homem jorrando para todo lado, dor e sofrimento para acabar com uma multidão. Ele tinha, é claro, pensou Gibson, que sofrer tanto quanto fosse preciso para purgar os pecados da humanidade inteira. Mas não, ele não foi a única vítima, Jesus não podia mesmo arcar com todo o fardo (talvez só Frodo mesmo), e foi impossível esconder isso.
Judas, coitado, merecia uma A Paixão de Judas só para ele. Seu sofrimento, diferente do de Jesus, veio de dentro e não de fora. Judas foi perseguido pela culpa até a árvore em que se enforcou. Ele bem que poderia ter morrido como Josef K., aquelas crianças-diabretes enfiando-lhe uma adaga no peito, “como um cão”. A culpa sobreviveu até hoje, e até hoje descarregamos nossa raiva da vida no boneco de Judas, o grande bode expiatório. A propósito, se puderem, leiam o Evangelho de Judas.
O personagem mais interessante, em minha “opinião”, foi Pôncio Pilatos. Não só pela sua elegância, imponência e decoro. Mas também por ter se mostrado um dos personagens mais sãos e racionais da estória. Ele também teve sua paixão, seu conflito com a verdade (nem Jesus consegue responder Quid est veritas?). Porém, sua luta maior não foi com a verdade, mas com a realidade. Qual das revoltas encarar? A dos judeus ou a dos (ainda por vir) cristãos?
Infelizmente, trata-se de um filme que, como eu disse acima, tem muito mais (?) a mostrar do que sangue e violência. Racista, a obra retrata os heróis como modelos arianos, brancos, europeizados; num racismo purista, Herodes, símbolo da degenerescência judia, é mostrado num ambiente de mistura de raças. Elitista, contraditoriamente mostra uma escala ascendente de virtude respectiva à hierarquia social romana, com Pilatos, governador, aparecendo como o mas virtuoso, e os legionários de baixo escalão como os mais bestiais. Misógino, naturaliza o papel das mulheres de coadjuvantes da vida humana, aquelas que apenas apóiam os heróis (homens), que lhes fazem a comida, que os ajudam a levantar quando caem, que limpam seu sangue derramado, que enxugam suas faces sujas.
Havia também que falar da Paixão de Satã, mas deixemos isso para depois…
Fonte da imagem: Wikimedia Commons
Por um “erro de ortografia”, ou seja, por desorganização do hospital, um cirurgião removeu o útero de uma paciente. A televisão mostrou o drama e choro da mulher e seu esposo, que não sabem encarar a vida e sua fatalidade com maturidade, e bem que mereciam uma aula de carpe diem e amor fati.
Ela perdeu seu útero e, segundo o marido, o evento acabou com a vida de ambos. Ora, a única coisa que eles “perderam” foi a capacidade de parir. Se quiserem ter um filho, não há nada que os impeça de adotar uma criança (a não ser que sejam tão egoístas ao ponto de bater o pé e insistir em ter um filho do “seu sangue”).
Corrijam-me os entendidos em biologia humana, mas não ganhou essa mulher a benção de não mais menstruar? O melhor para eles é que, se forem um casal fiel e sem DST, podem doravante fazer sexo à vontade sem risco de uma gravidez não planejada. Deveriam agradecer ao médico.
Divisões perigosas
Políticas raciais no Brasil contemporâneo
Peter Fry
Yvonne Maggie
Marcos Chor Maio
Simone Monteiro
Ricardo Ventura Santos
(org.)

Orientalismo
O Oriente como invenção do Ocidente
Edward W. Said

Ethnic groups and boundaries
The social organization of culture difference
Fredrik Barth

Star Wars
IV: Uma nova esperança
George Lucas
V: O Império contra-ataca
Irvin Kershner
VI: O retorno de Jedi
Richard Marquand
(DVD)

Persépolis
Vincent Paronnaud &
Marjane Satrapi
(Windows Media Player)

Mogli
O menino lobo
Wolfgang Reitherman
(Disney Channel)

10.000 A.C.
Roland Emmerich
(Cinemark)

Snoopy 1
E sua turma
Charles M. Schulz
As tiras clássicas da turma da Mônica
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