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x
Qual é o valor de x?
Interrompemos a transmissão da minissérie Madalena para um pronunciamento de Elias Cristiano, prefeito de S… Dentro de instantes, retornaremos à nossa programação normal.
Caros cidadãos de S…, tem havido rumores de que nosso estimado concidadão Judas I., auxiliar do padeiro Evaristo A., haveria contraído uma séria doença contagiosa e que agentes federais do governo norte-americano estariam a caminho de nossa cidade para executar uma operação de quarentena em nossa querida S… Peço encarecidamente a todos que não entrem em pânico, pois os boatos não se confirmam. Obrigado.
Voltamos agora à nossa programação normal.
No capítulo anterior muito especial de Madalena: Judas fica doente; Raab repreende sua amiga; Madalena se prepara para dar um testemunho na igreja; algo estranho está para acontecer no templo; o pe. Tiago não sabe o que fazer…
“(…) quem vacila é como a onda do mar agitada e impelida pelo vento” (Tg 1,6).
ntão, ninguém
esperava, ouviu-se uma voz tremenda dos portões da igreja.
— Madalena!
Todos se viraram a um tempo e viram um homem de cabelos e barba longos, vestido numa bata branca e com olhar penetrante. A impressão de todos era que ali estava Jesus Cristo, mas a cena causava perplexidade, mais do que comoção, e ninguém se enganava da realidade dos fatos. Certo é que todos ali sabiam que era o pobre Judas em alguma extravagante esquisitice outra vez. Mas desta ninguém pôde dizer uma palavra. Algo no ar abafava as gargantas do surpreso rebanho. Surpresa ainda maior foi o transe a que levou o delírio de Madalena, agora vendo, sob o arco da porta da casa do Salvador, o Próprio.
— Vem e me salva!
Não via Madalena os olhos apaixonados de Judas. Apenas enxergava de Jesus os cabelos e barba compridos e desgrenhados, as vestes santas — e as mãos másculas.
Um súbito movimento impediu ainda que a surpresa fosse quebrada. Atravessando a igreja e correndo para Madalena, o louco homem agarrou-a e beijou-lhe a boca, o rosto, o pescoço… Não demonstrou ela sinal algum de resistência, nem mesmo quando seu amante a levou ao chão e, tirando suas roupas, deu-lhe a mais perfeita comunhão divina, que nem seus sonhos conceberam. Durante vários minutos, os fiéis assistiram atônitos à mais estranha missa que jamais houvera naquela pequena cidade. O entorpecimento geral só se quebrou muitos minutos depois do êxtase celestial do casal. E mesmo então e após, ninguém conseguiu acordar os dois, que nunca mais se levantaram.
Não houve quem pudesse explicar o que acontecera. Nem há quem se lembre o que foi feito dos corpos de Madalena e do imitador de Jesus. Mas quem presenciou o extraordinário fato nunca mais viu sua religião com a mesma fé. E Raab nunca perdoou a amiga, que teve causado muito mais polêmica do que ela e que, além disso, o fez de maneira tão deliciosamente pecaminosa.
[Fin]
sse Judas era
apaixonado por Madalena. Trabalhava na padaria do Sr. Evaristo, e todas as
manhãs encontrava a moça, que vinha comprar pães. Todo gentil com ela, fazia
tudo para que gostasse dele. Mas o único homem que parecia chamar a atenção de
Madalena era Jesus.
— Nem seus pais são tão puritanos — comentava Evaristo a Judas. — Decente demais, essa moça, para o meu gosto. Mas é boa pessoa. Porém, deveria se casar.
— Também acho. Mas só pensa em Jesus Cristo. Se pudesse, acho que ela se casaria com ele. Que nada!
E, à tarde, procurava-a na praça, e cantava para ela como se cantasse para a Virgem. Às vezes chamava uns músicos, ou recitava os Cânticos. Altamente tímido em público, a presença de Madalena fazia ruir toda a vergonha, e ele se punha a clamar seu amor, num transe em que só ele e sua Senhora existiam.
Mas ela nunca deu o braço a torcer, nem o joelho a dobrar, senão para sua fé. A não ser até o dia em que não encontrou Judas na padaria.
— Está doente, acho. Sua mãe disse que ele não viria hoje. Para mim, é tristeza d’alma.
— Que pena. Vou rezar por ele.
E saiu, pensando: “Será que é por mim? Ah, que boba! Claro que não. Ele não é tão ingênuo a ponto de se deixar abater assim. Há outras raparigas para ele no mundo. Que nada, deve ser só febre.”
Mas a febre parecia que não se curava. E, se era mesmo febre, fincou raízes no coração do rapaz, pois ele não foi visto nas ruas durante alguns meses. Raab reprovava a amiga:
— Culpa tua! Se tivesses seguido teu coração, o coitado não estaria assim. Olha a mãe dele, tão sofrida. Se o amor dela pelo filho não o está curando, deve estar mesmo mal. Talvez amor de mãe não resolva. Se não fores lá, eu mesma lhe faço uma visita, e meu amor vai curá-lo…
— Louca, Raab! Que coisa! Não é nada disso. Meu coração pertence a Deus. Estou rezando por ele, porque o amo. Sim, amo meu próximo da forma mais pura.
— Isso não é amor. Não existe amor sem sangue. Teu coração nem palpita pelo infeliz. O único amor puro é quando a alma é condensada e a carne sublimada.
Madalena não respondeu. Tentou pensar na missa do dia, em que ela daria um testemunho. Muitos e muitas lhe estavam cobrando a responsabilidade pelos sofrimentos de Judas, a respeito de que, no entanto, ninguém sabia ao certo. Ela sinceramente se preocupava com a saúde do rapaz, mas achava que ele deveria não se abater com coisa pouca. Era preciso se preparar para a missa.
Estava toda a cidade reunida naquele dia. Nada de incomum, mas havia uma coisa no ar, como se o Espírito Santo ameaçasse defecar na cabeça de alguém. Madalena estava especialmente viva, e Raab tinha uma ansiedade que se revelava nos olhos preocupados. Todos estavam tensos, alguns desconfortável, outros animadamente. Madalena começava seu testemunho.
O ambiente parecia se encharcar com éter, enquanto Madalena entrava num transe cada vez mais profundo e estranho. O padre Tiago tentava tomar alguma providência, mas tinha dúvida, não sabia o que realmente acontecia, ou se acontecia algo.
[Continua...]
uas mulheres
jovens conversam na praça, sentadas num banco. Uma delas tem os cabelos curtos,
o rosto magro e a pele bronzeada. Usa uma blusa amarela e saia vermelha, que
deixam entrever as carnes das pernas e do peito. Seus trejeitos são chamativos e
seus olhos procuram, por todos os lados, quem possa trocar com ela um flerte. É
Raab.
A outra é Madalena. Muito discreta, a pele clara contrasta com a roupa escura e recatada, os cabelos presos, uma Bíblia entre as mãos e o colo. Um rapaz passa e saúda:
— Bom dia, Madalena.
Ela acena com a cabeça e um sorriso.
— Bom dia, Franco — diz Raab.
— Ah, oi, Raab — responde ele secamente, e continua seu caminho.
— Somos tão diferentes, não é, Madalena? Mas somos tão amigas.
— Não somos tão diferentes. Amo a Jesus, e tu também O amas.
— Ai! Se viesse Jesus ter comigo, acho que me apaixonaria tão loucamente que meus atos me fariam ter com Satã.
— Louca, Raab! Teus escândalos já são suficientes para te garantirem um espaço naquele lugar, onde tu irias chorar e ranger os dentes.
— Só se fosse chorar de prazer e ranger os dentes de gozo… Satã, cheio de paixão, deve ser tão…
— Louca, Raab!
— Tu sabes que só brinco contigo. Não devias ser tão sisuda. Nunca vais te casar?
— Sou casta. Só um homem santo vai ter minha mão, para a Glória de Deus.
— E o que dizes do Judas? Tão inocente e apaixonado. Nem eu consegui nada com ele.
— É um bom moço. Mas tem umas coisas…
— É só um pouco esquisito — disse com um sorriso malicioso. — Aliás, é mais original do que excêntrico. Ah, qual nada! Madalena, tu és boba.
— Que é isso? E olha só o nome dele. Não é Iscariotes, mas quem me garante que não me trairia?
[Continua...]Divisões perigosas
Políticas raciais no Brasil contemporâneo
Peter Fry
Yvonne Maggie
Marcos Chor Maio
Simone Monteiro
Ricardo Ventura Santos
(org.)

Orientalismo
O Oriente como invenção do Ocidente
Edward W. Said

Ethnic groups and boundaries
The social organization of culture difference
Fredrik Barth

Star Wars
IV: Uma nova esperança
George Lucas
V: O Império contra-ataca
Irvin Kershner
VI: O retorno de Jedi
Richard Marquand
(DVD)

Persépolis
Vincent Paronnaud &
Marjane Satrapi
(Windows Media Player)

Mogli
O menino lobo
Wolfgang Reitherman
(Disney Channel)

10.000 A.C.
Roland Emmerich
(Cinemark)

Snoopy 1
E sua turma
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As tiras clássicas da turma da Mônica
Vol. 1
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