Uma colega do trabalho deu à luz recentemente. Eu a conheci algum tempo depois de assumir meu cargo no INCRA, há pouco mais de 1 ano. Ela também acabara de entrar no Instituto, alguns anos mais jovem que eu. De repente, lá estava a futura mãe ostentando no ventre seu fardo filial.
Agora fico imaginando como deve se sentir uma mulher quando está grávida, que vai aos poucos crescendo o ventre e o peso e enfim dá à luz. Deve ser um desconforto grande, a mulher aumenta até 12 quilogramas. Eu me pergunto se isso não faz a mulher, em algum momento da gravidez, desejar se livrar daquilo. Mas então me lembro que a grávida sabe que carrega um ser vivo dentro de si, cuja vida depende da sua própria. Aí talvez faça sentido para ela que precisa suportar esse sofrimento (com o qual ela deve acabar se acostumando, até certo ponto).
Então elaborei uma hipótese não-esgotável. No início da gravidez, antes que os incômodos iniciem com mais intensidade, é comum a futura mãe escutar congratulações ou consolo sobre a situação. Passar nove meses carregando um peso (co)produzido pelo próprio corpo, enjoar e passar por outras dificuldades deve então ser sentido ambiguamente pela mulher como algo a ser suportado, pois também é algo que precisa de cuidado. Essa situação, aliada à crença de que a mulher só se completa quando é mãe, produz na mente dela um efeito muito forte, que a faz incorporar a sensação de que é seu papel fazer tudo pelos filhos – pois nada pode ser mais doloroso do que tê-lo carregado durante nove meses e passado pela dor de pari-lo.
Dor que, aliás, parece só existir para as mulheres ocidentais. Isso vem ao caso e pode contribuir para a discussão do livro Mãe de todos os mitos: como a sociedade modela e reprime as mães, de Aminatta Forna.
Agora só falta fazer um pequeno questionário para sondar o que as mulheres que deram à luz sentiram psicofisiologicamente durante a gravidez, o parto e o pós-parto e averiguar se minha hipóstese pode ter peso de teoria.
A propósito, estava pesquisando sobre Aminatta Forna no Google e encontrei um link para um artigo que apresentei em 2006 no VII Encontro Fazendo Gênero, em Florianópolis, que eu nem sabia que estava publicado na internet! Cliquem aqui e confiram.
Ontem choveu fortemente em Natal (e em Parnamirim). À hora do almoço, quando vou a pé ao restaurante Tia Teresa, não pude atravessar a Rua Potengi, que se tornou um rio. Tive que ir a outro local e me servir de uma comida menos boa e mais cara. Pela manhã, pensara que não precisaria do meu guarda-chuva. Bem, foi só ontem.
Se o céu caísse sobre nossas cabeças, seria mais ou menos assim? Essa chuva derrubou tetos e muros, alagou ruas e estacionamentos subterrâneos, fez boiar carros e pessoas, dificultou a rotina diária de muitos natalenses e surpreendeu turistas. Só faltaram os relâmpagos e trovões (que são mais comuns, e muito mais belos, no interior do estado). O fato é que, nestes dias de grande calor em Natal (8), bem que uma chuvinha aliviaria, mas quando a chuva vem, é 80. Para muita gente, ruim sem ela, pior com ela.
O que me recorda uma citação de Marion Zimmer Bradley, em As Brumas de Avalon, mais ou menos assim:
Cuidado com o que pedes, pois podes conseguir.
É um tema comum da sabedoria popular, que aparece também num episódio cômico da Bíblia, capítulo 11 de Números, em que os escolhidos de Israel reclamam a Moisés e a Deus sobre o fato de só comerem maná, e pedem carne. Deus então lhes diz:
18 […] Santificai-vos para amanhã, e comereis carne; porquanto chorastes aos ouvidos do SENHOR, dizendo: Quem nos dará carne a comer? Pois íamos bem no Egito; por isso o SENHOR vos dará carne, e comereis; 19 Não comereis um dia, nem dois dias, nem cinco dias, nem dez dias, nem vinte dias; 20 Mas um mês inteiro, até vos sair pelas narinas, até que vos enfastieis dela; porquanto rejeitastes ao SENHOR, que está no meio de vós, e chorastes diante dele, dizendo: Por que saímos do Egito?
Não bastasse tanto sarcasmo, Deus envia do mar codornizes mortas que cobrem o chão do acampamento até dois côvados (cerca de 91,44 centímetros) de altura. Saborosas codornizes… envenenadas.
Não é à toa que alguns cristãos descartam o Velho Testamento.
Tenho um colega de trabalho que é advogado, embora não exerça esta profissão. Ele me disse que eu me daria bem na área do Direito. Outro colega advogado elogiou muito um parecer que escrevi, inclusive no aspecto argumentativo, em que me utilizei, além dos conhecimentos de minha competência, também da referência a alguma legislação. Esse mesmo parecer foi lido pelo advogado de uma das comunidades quilombolas com que trabalho, e ele me disse que eu daria um bom jurista.
Nunca havia me interessado pelo estudo do Direito. Mas trabalhar numa instituição federal implicou aprender a ler, interpretar e aplicar decretos, leis, instruções normativas, artigos, parágrafos e incisos. Depois que conheci uma antropóloga que trabalha no Ministério Público Federal, e ter lido um parecer por ela escrito, vislumbrei outras possibilidades para minha profissão. Até que eu acharia interessante trabalhar para garantir os direitos das pessoas. Seria uma chance para, investido de autoridade para tal, aplicar minhas noções de Cosmoética.
Entretanto, na mesma semana também meio que retomei um estudo autodidata inacabado de webdesign, através do site CriarWeb. Ser um webdesigner é outro desejo. A criação de layouts e interfaces através de uma linguagem codificada me fascina.
Há algum tempo não consigo me dedicar ao estudo de idiomas, continuar a aprender francês, espanhol, italiano, japonês, começar a estudar alemão, chinês... Ainda não tive oportunidade de cursar a graduação de Tradução nem de exercer a profissão de tradutor.
Talvez, antes de tudo, eu deva completar minha formação em Antropologia, com o exercício do atual emprego e com a conclusão do mestrado. É que, devido a diversas circunstâncias e acidentes durante minha graduação, ainda não me tornei excelente nesta área, e sinto a necessidade de ganhar experiência teórica e prática, de adquirir aspectos essenciais ao habitus do antropólogo.
Mas todo estudo e ciência no qual enveredo contribui com os demais e alimentam mais meu desejo crescente de crescer como um polímata. Uma coisa de cada vez e tudo o que for possível.
Divisões perigosas
Políticas raciais no Brasil contemporâneo
Peter Fry
Yvonne Maggie
Marcos Chor Maio
Simone Monteiro
Ricardo Ventura Santos
(org.)

Orientalismo
O Oriente como invenção do Ocidente
Edward W. Said

Ethnic groups and boundaries
The social organization of culture difference
Fredrik Barth

Star Wars
IV: Uma nova esperança
George Lucas
V: O Império contra-ataca
Irvin Kershner
VI: O retorno de Jedi
Richard Marquand
(DVD)

Persépolis
Vincent Paronnaud &
Marjane Satrapi
(Windows Media Player)

Mogli
O menino lobo
Wolfgang Reitherman
(Disney Channel)

10.000 A.C.
Roland Emmerich
(Cinemark)

Snoopy 1
E sua turma
Charles M. Schulz
As tiras clássicas da turma da Mônica
Vol. 1
Maurício de Souza
Delivery Service of Corpse
1
Eiji Ohtsuka
Housui Yamazaki
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